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Julho, 2026

Verde Sálvia 

Os dias aqui tem um cheiro esverdeado, frescamente secos. Trazem consigo sons inerentes como o movimentar vai e vem das águas desencadeando um encontro repetitivo entre elas e os fios alongados, verdes e vividos, dourados e esturricados matos da restinga, e se escuta o sopro instrumental, que antes de buscar os ouvidos percorre estruturas perfuradas aonde é capaz de passar consistentemente como se tivesse corpo que preenchesse o vazio, fazendo as estruturas de toca música da sua própria sinfonia, e cada superfície é tocada por ele como se possui-se dedos capazes de acariciar suavemente tudo que se encontra bagunçando os cabelos, e tudo isso para anunciar a sua presença incessante e continua, assim se escuta a apresentação do vento.

Além é claro do bafafá de todas as possíveis espécies de aves reunidas. É uma grande festa aonde algumas decidem anima-la com seus cantares sincronizados formando uma orquestra, e pelo apreço musical as montanhas fazem o trabalho de jogarem os sons umas contra as paredes das outras para assim ecoar, alcançado um largo público, outras dessas criaturas que voam dedicam se claramente ao ofício das exclamações sem rumo sobre as insatisfações prosaicas, nenhuma se escuta mas se sentem todas acompanhadas pelas que reclamam junto, não se pode esquecer da dualidade ditada pelas leis herméticas que aqui também está presente, a aquelas que docemente voam nos corredores de ar criados pelo grande musicista chamando a atenção numa espécie de apontar para a contemplação daquilo que se tem ao arredor e que está no estado de ser o que é, e se deliciam no vento fazendo curtos desfiles, um ou dois movimentos parecem ser o suficiente para que o olhar do piso terreno admire as suas existências em composição com as nuvens penduradas no céu, de baixo para cima, quase o tocam, gostam de tirar fina do chão, assim em poucos abrir de asas chegam sem excepção delicadamente no lugar mais conveniente a cantar o lado divino de si.

A cada tanto se escuta um "beé" e uma resposta "beé" e um som que parece o chorar de burrinhos mas só de vez em quando. Cada um de todos esses sons são programados, matematicamente calculados para que em constante suassem como silêncio absoluto, o enganoso silêncio permiti a escuta do falar mental, pronunciação em alto e bom-tom da íntima voz que fala o que quer e costuma parecer aleatória. Quando se presta atenção na conversa retórica, as frases começam a ter uma estranha aparecia de verdade. Causam repentinas vergonhas e constrangimentos, que passageiramente se vão quando se percebe que essa caixinha de pandora está segura, disponível apenas a ouvinte da alma.